"Well, there it is."

Sabe quando você vai ver um superclássico, aquele filme de que todo mundo fala, dizem que é sensacional, que é bom, os críticos e até o Oscar concordam... e daí acaba, você entende o porquê de tanta aclamação, mas ao mesmo tempo fica com uma sensação de "... é isso?" na cabeça, mas em segredo, porque não pode dizer isso na frente de ninguém? Tipo admitir que não assiste ao BBB e ser um alien numa sala?


Pois é, Amadeus (1984), o grande vencedor de 8 prêmios da Academia em 1985... pra mim foi você, mais ou menos. Acho que preciso ver de novo, e baixar minhas expectativas, tentar ver coisas onde eu não vi. Mais ou menos como a gente faz com tudo na vida, especialmente pessoas. É que nem sair com aquela pessoa que você ficou na balada e nem teve como conversar direito, ou na hora foi legal, seus amigos empurraram os dois, e daí quando foi ser o papo, aqueeeeeeeeeela decepção. Mas ela é bonita, ele é gatinho, tem sorriso, é legal, mas fica nisso. Você pensa "Pelo menos foi divertido, né?" e sorri pra pessoa, diz pra combinarem de sair de novo, mas vai ser naquela quarta-feira chuvosa e sem o Van Damme na Sessão da Tarde ou o Corinthians em campo pelo Paulistão. Uma hora ou outra você se lembra, pensa que tem que rolar de novo pra ver se dá liga, mas dá uma preguiça, aparece outra pessoa mais interessante, e assim caminha a humanidade.

O pior é só anos mais tarde conseguir perceber a genialidade da obra e da pessoa, geralmente esta com outro(a), e a gente fica com cara de bolinho. Pelo menos o filme não casa com outra pessoa, e a gente só faz papel de bobo dizendo "É, agora só que eu entendi...", arrependido de ter dito que não achou lá grandes coisas, ou que Led Zeppelin nem é tão bom assim. Certeza que o Mozart tem algo a mais que sua risada escandalosa e mulher com os peitos quase pulando pra fora o filme todo, e eu vou entender por que F. Murray Abraham é tão brilhante no papel de Antonio Salieri, um dos loucos mais cativantes que já vi.

Mas, até lá, acho que alguns ainda vão passar na frente e a fila vai andar. Quem sabe numa quinta-feira sem meu filme favorito da Sessão da Tarde, Os Aventureiros do Bairro Proibido?
2 Responses
  1. Mayte Hueza Says:

    Sim, Mozart tem muito mais que a risada escandalosa: é um gênio. E o filme mostra isso!
    Ah, que vontade de te bater! =D


  2. Cadu Says:

    Paulo, Amadeus é bom, mas voltado pro grande público. É natural que ele priorize muito mais uma linha dramática do que documental. O roteiro, nesse ponto, faz escolhas claras: ressalta a personalidade de Mozart e deixa em segundo plano a genialidade de sua obra. Mas ainda assim é filmão e pra mim, dentre os do Milos Forman, só perde pra Um Estranho no Ninho. Contente-se por ter corrigido uma "falha de caráter"! haha :P