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10:48
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By Paulo Tiago
Assistir a um western é uma sensação curiosa, especialmente para quem nasceu dos anos 80 pra frente. Nós não crescemos vendo John Wayne, Henry Fonda, Charles Bronson (ok, esqueçamos Desejo de Matar por alguns minutos), James Coburn e outros tanto cowboys que levaram nossos pais e avós ao cinema. Nós não tivemos o prazer de irmos ver os chamados western spaghetti, como os tantos filme de Sergio Leone. Hoje são feitos alguns filmes do gênero, como Os Indomáveis ou Appaloosa mas... falta alguma coisa. E não é puro saudosismo, mesmo porque eu sou de 1984. Hoje em dia, diante de tantos recursos, diantes de um Avatar da vida, é até curioso ver um filme de "mocinhos e bandidos", um bang bang, como minha tanto gosta de dizer, seja ele novo ou de 1968, como o clássico Era Uma Vez no Oeste.
Mas, por outro lado, é um privilégio poder ver uma pérola como Os Imperdoáveis (Unforgiven), o clássico de 1992, de ninguém menos que Clint Eastwood, hoje talvez mais conhecido por filmes como Menina de Ouro (2004) ou Gran Torino (2008), ou seus dois filmes de guerra feitos praticamente ao mesmo tempo, o magnífico Cartas de Iwo Jima e o irmão pobrezinho, A Conquista da Honra, ambos de 2006. Clint Eastwood é uma lenda viva do cinema, ícone máximo do cinema "macho", e sua biografia é uma coisa impressionante de se ler. E ao mesmo tempo é um diretor de primeira, que consegue, ao mesmo tempo, ter filmes duros e sensíveis, com personagens, por vezes interpretados por ele mesmo, que têm os dois lados (duro com os filhos, mas sensível com os vizinhos coreanos), como o Walt Kowalski de Gran Torino.E Walt tem um predecessor chamado Bill Munny, o cowboy de Os Imperdoáveis. É um filme impressionante, com uma fotografia de cair o queixo (ver a imagem de dois cowboys andando a cavalo contra o pôr-do-sol ainda é impressionante) e tem... bom, tem Clint Eastwood. E Morgan Freeman, como Ned Logan, o grilo falante de Munny. E Gene Hackman, como o violento xerife "Little" Bill Daggett. E tem um roteiro sensacional, que mostra como um fora-da-lei ruim pode ser um homem bom, mas que, aos poucos, volta a ser... bem, ele mesmo. As epígrafes do começo e do fim do filme são importantes, marcando o ponto em que Munny estava e a que volta posteriormente, mas o enredo dá ao espectador o prazer de ver Munny/Eastwood tornar-se Munny/Eastwood. Do mesmo modo como ele deixa sua vida de lado por uma paixão (epígrafe I), ele volta a ser por outra, dessa vez pela paixão da amizade com Ned Logan, cruelmente assassinado pelo xerife (atuação magnífica de Hackman, a ponto de não ser possível sentir raiva dele). Mas não é um caminho sem volta (epígrafe II), do mesmo jeito que o lado bom dele não é. Cultura herdada dos western spaghetti (Eastwood ganhou muito da sua fama com esse gênero), em que não é fácil ver mocinhos e bandidos, cowboys e índios, mas homens bons levados ao seu limite e homens maus que ganham sua simpatia por fazerem o que é "certo". Como ele diz, todo mundo está sujeito a bons e maus acontecimentos, explicando sua visão dura e certa de mundo ao jovem parceiro, Scholfield Kid.
De um homem dócil, até, se chega à entrada final em New Whiskey (uma das melhores cenas que já vi, com a chuva e a garrafa de whiskey jogada no chão depois de 11 anos de sobriedade, do ponto de vista do cavalo, fantástico!) de um homem disposto a se vingar, mas das pessoas certas, pelos motivos certos, que volta a ter as habilidades uma vez enferrujadas, mas nunca perdidas (o tiroteio final no bar de Skinny é uma ilustração de absolutamente tudo que é dito no filme, especialmente as narrativas para Beauchamp, o escritor). Munny sai do bar exatamente do modo que ele tanto tentava deixar pra trás, profetizando "You better bury Ned right!... Better not cut up, nor otherwise harm no whores... or I'll come back and kill every one of you sons of bitches", mas não como o homem que passa a maior parte do tempo bêbado ou mata mulheres e crianças, que já matou tudo "that walks or crawled at one time or another". Como ele anuncia diante de todos, "I'm here to kill you, Little Bill, for what you did to Ned", depois de finalmente admitir seu passado, mostrando como é possível que o protetor pode, às vezes, fazer as vezes do matador a sangue frio (um recado para os EUA, talvez?).
Não dá pra não ver e admirar Clint Eastwood em cena, mas eu tenho que admitir: nem como o pistoleiro sem nome nos filmes de Sergio Leone (como Três Homens em Conflito, de 1966) eu tinha ficado tão impressionado com ele, com uma personagem, com um enredo que até tem ares de desculpas por uma carreira tão voltada para violência (além de tudo, ele foi o policial "Dirty" Harry Callahan, do melhor estilo "atire primeiro, pergunte depois"), com um homem que busca sua própria redenção diante de uma vida desgarrada sem, no entanto, conseguir efetivamente deixar esse seu lado para trás.
É um bang bang, mas dos filmes mais bonitos que já vi, com uma cena tão marcante quanto a entrada dele na cidade para o matadouro do bar, quando ele nem sabe direito quem mata, só acha que deu sorte na ordem. Duro, violento, mas ao mesmo tempo sensível. Esse é o nosso Clint Eastwood, em comparação àquele que nossos pais iam ver no cinema e por quem vibravam, e por isso talvez nosso prazer, pelo menos pensando nele, é infinitamente maior do que o dos nossos pais.
01:26
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By Paulo Tiago
Isso é mais do que qualquer coisa um serviço de utilidade pública, especialmente pro pessoal que tem a péssima mania de achar que a grama do vizinho hollywoodiano, europeu ou inglês, até mesmo argentino, é mais verde: o Cine SESC, uma das salas mais gostosas e interessantes na cidade de São Paulo está, até o final do mês, um projeto chamado... bom, Retrospectiva do Cinema Brasileiro. Todo ano eles fazem isso, assim como no primeiro semestre rola aquela eleição para os melhores filmes do ano anterior e acontece uma mini mostra, de coisa de um mês. E o melhor: tudo a módicos R$ 4,00 - numa cidade onde um cinema que não tem nada de mais com o Bristol cobra algo em torno de R$ 20.
Fiquei louco quando vi, porque eu ia/vou poder sanar algumas deficiências do ano e da vida. Reflexões de um Liquidificador, filme que me lembrou bastante o ótimo Estômago (2008), foi o primeiro a sair do caminho, no sábado, às 2 da tarde, com o cinema vazio, vazio - e um foco de lascar ("Acorda, projetista!"). E mesmo quem torce o nariz pode ir ver "na marra", depois culpa algum amigo mais nerd e pensa que foram só os tais R$ 4,00, que os flanelinhas perto do Mackenzie acham justo por dois dias parando o carro pra eles "cuidarem". Háh! Mas o legal foi que eles tinham um livretinho mega bem feito, com sinopses e levantamentos interessantes de todos os filmes, o que é ainda melhor quando se está na companhia de alguém que efetivamente estuda e entende de cinema, especialmente o brasileiro, e pode te dar várias dicas do que assistir. Muito, mas MUITO melhor do que qualquer livretinho de Cinemark e mesmo do Espaço Unibanco. E de graça. E tem gente que nem fica sabendo. Ou se fica torce o nariz porque parece minha mãe que só de ouvir falar em cinema brasileiro pensa que a coisa vai ser ruim. Ela achou, por exemplo, que Cidade de Deus (2002) não prestava porque, entre outras coisas irrelevantes e vergonhosas, se falava palavrão demais no filme. Falou isso pra mim, que uso 'porra' como vírgula e 'caralho' é vocativo.
Daí que, além de querer ver Tropa de Elite 2 de novo, já tinha metido na cabeça que ia criar vergonha na cara e encarar também As Melhores Coisas do Mundo, pelo menos. Já foi pro saco, de novo, e também por causa do Corinthians no domingo - e eu sabia que não ia valer a pena. Mas daí tem um Do Começo ao Fim na quarta-feira, dia 08, às 22h, ou um Antes que o Mundo Acabe dia 13, segunda-feira, às 20h. Que tal Insolação, dia 18, sábado, às 16h? Os horários e a disponibilidade foi bastante afetada por motivos ótimos, mas ainda assim tem espaço pra coisa boa. Claro que as bombas marcam presença, afinal de contas temos Xuxa e o Mistério da Feiurinha, mas é raridade, ainda mais se a gente considerar algumas coisas do naipe de Os Vampiros que se Mordam e toda a leva de fora que vem, de baciada, e ficam semanas intermináveis em cartaz, especialmente cruel pra quem é professor de adolescentes e pré-monstros. Quem reclamar muito de Segurança Nacional deveria pensar por 5 segundos e fazer uma lista de filmes de ação notoriamente ruins que são "aclamados" pelo povão.
O negócio é que eu fico meio inconformado comigo mesmo e com muita gente não vai ao cinema ver filme nacional (eu mesmo vi quase todos em DVD ou no computador), mais ainda com quem nem mesmo vê os tupiniquins, seja como for. Mas essa barbada do Cine SESC não dá pra perder, pelo menos um filme dá pra ir ver - tem algumas coisas interessantes mesmo entre o Natal e o Ano Novo, com uma São Paulo já esvaziando. E um filme nacional e BOM!Fica aí a dica. Quem precisar ou quiser de companhia... eu sou facinho, nunca escondi isso. Até pago a pipoca.
14:08
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By Paulo Tiago
Karl: Well, I-I'd better go.
Sarah: Okay.
Karl: Goodnight.
Sarah: Goodnight.
[he gives her a quick peck on the cheek, then they begin to kiss passionately]
Karl: Actually, I don't *have* to go.
Sarah: Right. Good.
Karl: I mean...
Sarah: No-no that's good. Just, um, would you excuse me for one second? Just...
Karl: Sure.
[she moves round the corner, out of sight of Karl, dances a little jig for joy, then returns]
* * *
ai ai
=D
11:06
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By Paulo Tiago
Tá bom, essa semana eu tive uma conversa que me fez pensar um pouco mais sobre o Tropa de Elite 2, especialmente no que diz respeito a uma coisas que eu mesmo escrevi no outro post:
"Mas é também um filme muito mais pretenso, e simplifica a coisa como um todo, apesar de que talvez seja essa a melhor forma de mostrar o tamanho do problema que é a corrupção, e não só na Polícia."
Não foi sobre a Polícia que fiquei pensando, mas sobre ele ser um filme pretenso, e sobre o sistema, e sobre o Coronel Nascimento (acho que eu gostava mais de dizer "Capitão"). Talvez esteja aí, pra mim, a grande falha do filme.
A narração do Wagner Moura é muito boa, fato. Tanto que ele, no primeiro filme, mudou toda a edição e fez com que o seu Capitão Nascimento fosse o personagem principal (pois é, não era pra ser ele, e quem assiste à edição pirata percebe isso um pouco melhor, e daí é só ler o livro pra ver que não existe nenhuma menção a um certo Capitão Nascimento - hã hã? - lá), e não só pelo falatório. Mas parece que agora ele fala até demais, tem que explicar tudo, tin tin por tin tin, e... fica demais. Mas isso não fica estranho, se alguém fizer um pouco de análise de discurso no filme, passando do nível superficial.
É bem claro que o "sistema" é o grande vilão, que temos policiais corruptos, que se relacionam a políticos corruptos, exitem as tais milícias e daí temos toda a merda do filme e da vida real. Vemos tudo que acontece nas comunidades carentes, e vemos o alto escalão da política. Mas... e a classe média? No primeiro filme isso é muito fácil de ver, com a universidade, o tráfico de drogas e tal, é dedo apontado na cara do quem vê, mas e agora? Fica uma coisa meio abstrata até, não atinge diretemente àqueles que são, por vezes, os maiores culpados. Comunidade não elege, sozinha, político corrupto. Não é porque a gente não faz um gato em casa pra ter TVA que isso significa que não temos nossa culpa no cartório, até porque em teoria as classes mais favorecidas são justamente as cabeças pensantes do país, aquelas que deveriam tomar alguma atitude (Winston Smith, esqueça o papo de prole). Só que no filme isso fica implícito, "jogado" na tal cena de Brasília, com uma frase no mínimo suspeita: "E quem você acha que paga a conta, parceiro?" - ou algo assim.
Nunca duvidei da capacidade de pessoas serem idiotas, ainda mais quando se trata de uma coletividade. E vai ter, sim, gente que vai sair do cinema xingando político, pobre e milícia, sem fazer mea culpa, porque o filme não mostra isso, e nossa classe média é daquelas que gosta de informação pronta. Não vai ter cena de faculdade com gente bonita pra mostrar como a droga chega lá, e essa é a grana que financia o tráfico. Só tem cena de como comunidades estão no rolo, enquanto o resto da cidade dorme tranquila, como se desse pra separar tão bem o joio do trigo. Só que, indo um pouco mais a fundo, alguém tem que perceber que nós temos uma parcela de culpa bem grande.
É o caso de uma eleição de um Maluf da vida por quem tem empreteira e diz que ele é bom pra construção civil, pensando no próprio bolso. É o caso de quem não precisa de serviços públicos e vota no Tiririca por achar que a piada é boa. É quem compra DVD pirata na rua sem saber a origem dessa merda, não conseguindo se tocar que isso pode, sim, ser uma fonte de renda de traficante ou das tais milícias do filme. É quem não percebe que o desvio de dinheiro tira a verba de quem realmente precisa (sendo bem didático, vamos pensar: se há verba, e escolas são construídas e professores são mais bem pagos, será que vamos ter a mesma quantidade de crianças na rua, roubando?), e mantém um círculo vicioso que parece não ter fim no Brasil, e não só no Rio de Janeiro.
É foda, mas um filme tão bom quanto esse peca na hora de apontar o dedo, e não é fazendo uso da ótima narração do Nascimento o tempo todo que a coisa fica mais fácil. A situação é bem complicada, e mereceria alguns bons minutos a mais, com fala de menos, e mais imagem. O povo esquece o que ouve, mas não o que vê, e o filme não mostra a matemática que cabeças mais preguiçosas não conseguem fazer, e daí saem do cinema com raiva, xingando, mas indo tomar aqueles chopes depois e pagando pro policial que parar o carro na blitz da Lei Seca, porque isso não tem nada a ver, claro. O salto é da comunidade carente pra Brasília, não tem nada a ver com o resto do povo.
19:48
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By Paulo Tiago
Quem que consegue ver um negócio desses e não botar o sorriso na cara, só de lembrar como De Volta Para o Futuro é legal? Michael J. Fox, em especial, obrigado por ter sido um Marty McFly tão... tão... legal!
(e, pra quem não sabe, isso esse vídeo é praticamente um remake do trailer original do filme, em 1985)
PS: o tal Scream Awards é um Oscar da vida com a idéia de premiar "the best in sci-fi, fantasy, comics & horror". Não me espanta que eu vi quase tudo que tá indicado aos prêmios.
21:56
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By Paulo Tiago
Acho difícil ter alguém no Brasil que ainda não tenha visto Tropa de Elite (2007), o filmaço do José Padilha, e não só de ação. É um filme do caralho, fato, além de muito bem feito e cruelmente próximo da realidade - é só ler o livro, Elite da Tropa, pra ver que aquilo ali não é tanta ficção assim, até porque foi escrito por um ex-oficial do BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, pra que ainda não sabe). As cenas de ação são boas, o Wagner Moura dá um show como o Capitão Nascimento (se você ainda não leu os Capitão Nascimento Facts, leia logo), Milhem Cortaz e André Ramiro são muito bons... bom, eu fui ao cinema duas vezes, vi o DVD pirata (só depois do cinema) e hoje tenho aquela porcaria de DVD sem extras, mas original.
Claro, você vê o filme e fica com raiva de traficante e maconheiro, fica falando "Vai subir ninguém!" ou "O senhor é um fanfarrão!" ou "Senta o dedo nessa porra", e torcendo pelos policiais - veja bem, pela PM do Rio de Janeiro! Já pensou nisso? Mas não dá pra rir quando você vê um pobre coitado no saco, ou a ameaça de empalar um outro pobre coitado com um cabo de vassoura, como se fosse uma coisa pra se rir. Minha segunda vez no cinema foi meio revoltante por isso, porque parece que esse tipo de coisa agora virou piada, e o pessoal do cinema de shopping só dá risada porque, mesmo que insconscientemente, sabe que isso nunca vai acontecer em Higienópolis ou na Barra da Tijuca. É de revirar o estômago, tanto o fato quanto a reação das pessoas.
Daí que finalmente saiu Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro (2010), e dessa vez sem vazamento em camelô, sem pirataria. Talvez o filme mais aguardado no Brasil dos últimos anos, tamanho o impacto do primeiro, e também porque dá pra saber que vem coisa boa por aí: elenco, direção, roteiristas e tudo mantido, uma sequeência fiel. E lá vamos nós assistir ao filme na estréia, 23h45 (sim, eu moro em São Paulo), sala cheia mas sem molecada - ou seja, cheia mas em silêncio. E uma baita expectativa, porque já o trailer é bom (uma baita sensação de estar em casa ao ouvir a voz do Wagner Moura fazendo a narração, pareceiro)! Imagine o filme?Pois é, e ele é bom. Muito bom, talvez até melhor que o primeiro, por ter acabado um pouco daquela coisa de bang-bang, de mocinhos de preto e bandidos de touquinha e farda azul ou cinza. É um filme bem mais sério, além de ter mais cenas de ação e terem caprichado ainda mais nos tiroteios. Seu Jorge lá, com aquela cara de cachaceiro dele, Sandro Rocha ("Quem quer rir, tem que fazer rir!") roubando a cena. Mas é também um filme muito mais pretenso, e simplifica a coisa como um todo, apesar de que talvez seja essa a melhor forma de mostrar o tamanho do problema que é a corrupção, e não só na Polícia. O tal "sistema" é o Grande Satã, o mal da terra brasilis, e é impressionante como tem gente que não se toca disso e ainda elege pessoas como o Governador do filme, ou os "excelentíssimos" deputados que o filme retrata tão bem. Claro, a coisa não é simples assim, mas não dá pra abraçar o mundo com as pernas.
Fica a sensação de não um soco, mas uma surra bem dada no fim do filme, especialmente pela breve cena de Brasília e pelo questionamento levantada na narração do agora Coronel Nascimento. É real demais, é uma ficção tão perto da realidade que até incomoda. Claro, vai ter gente que vai achar que é só um filme, sem conseguir ver como um surra num perueiro numa comunidade tem a ver com o resto da cidade, e é esse tipo de pessoa que provavelmente não pensa tão bem antes de votar ou coloca um Tiririca lá. Sad, but true.
Agora, fiquei pensando no final... se o filme tenta tanto ser assunto, levantar polêmica, por que não ter lançado antes das eleições para Governador e deputados, o foco dele?
23:48
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By Paulo Tiago
Peter Klaven: So what do I do? How do I make friends?
Robbie Klaven: If you see a cool looking guy, strike up a conversation and ask him on a man date.
Peter Klaven: Ok.
Robbie Klaven: You know what I mean?
Peter Klaven: No.
Robbie Klaven: Casual lunch or after work drinks. You're not taking these boys to see The Devil Wears Prada.
Peter Klaven: Ohhhh God, I love that movie. No, I won't.
* * *
Olá, eu sou Peter Klaven, muito prazer.
Robbie Klaven: If you see a cool looking guy, strike up a conversation and ask him on a man date.
Peter Klaven: Ok.
Robbie Klaven: You know what I mean?
Peter Klaven: No.
Robbie Klaven: Casual lunch or after work drinks. You're not taking these boys to see The Devil Wears Prada.
Peter Klaven: Ohhhh God, I love that movie. No, I won't.
* * *
Olá, eu sou Peter Klaven, muito prazer.
00:50
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By Paulo Tiago
- No me acuerdo de vos. Tengo tan mala memoria. ¿Quién eras? El marinero de Toronto Star, el de La Habana Maru, el astronauta enamorado de Benedetti, …No me acuerdo.
- Es importante hacerlo. Quiero que me relates tu último optimismo. Yo te ofrezco mi última confianza.
- Es importante hacerlo. Quiero que me relates tu último optimismo. Yo te ofrezco mi última confianza.
- La esperanza tan dulce, tan pulida, tan triste, la promesa tan leve no me sirve. Aunque sea un trueque mínimo, debemos cotejarnos. No me sirve tan mansa la esperanza, la rabia tan sumisa, tan débil, tan humilde. El furor tan prudente no me sirve. No me sirve tan sabia, tanta rabia.
- Estás sola, estoy solo; por algo somos prójimos. La soledad también puede ser una llama.
- No me quieras, por favor, no me quieras, no me quieras, no me quieras...
* * *
É difícil, até, fazer a transposição de uma linguagem para outra, até em cima do que eu postei aqui uns tempos atrás, sobre livros e filmes - e isso baseado em narrações e contos. Agora, como fazer a transposição de poesia para a tela, sem tornar a coisa muito piegas ou ridícula?
É difícil, até, fazer a transposição de uma linguagem para outra, até em cima do que eu postei aqui uns tempos atrás, sobre livros e filmes - e isso baseado em narrações e contos. Agora, como fazer a transposição de poesia para a tela, sem tornar a coisa muito piegas ou ridícula?
O hermano Eliseo Subiela, além do próprio Mario Benedetti, poeta e ator no filme (o senhor que recita poesia em alemão no bordel), fazem isso de forma sublime no enlatado argentino O Lado Escuro do Coração, de 1992, até mesmo com um quê de fantástico ou surreal. E o filme é de uma delicadeza dura, rude, que emociona, além dos diálogos embebidos de poesia, nas palavras de, bem, um poeta, como é o personagem Oliverio, que faz da poesia sua cantada, seu ganha bife, seu canto de dor. E a cena acima, que infelizmente eu não tenho em português, é fantástica, só tão boa quanto a cena de Ana com a filha passando pelo detector de metais enquanto Oliverio conversa com a morte, no bar, e descobre que a vida pode ser dura, mas ensina os caminhos certos.
O filme, é claro, vale também pelo conteúdo das conversas, e mesmo pelo enredo, relativamente simples - se você não achar nada de mais um cara se apaixonar por uma prostituta e as consequências disso. Teve um quê de tantos outros filmes de conversas e mais conversas sobre o que é o amor, sobre o que é apaixonar-se pela pessoa certa, pela pessoa errada, e mesmo sobre o que é e como apaixonar-se (a ótima conversa com a ex-mulher). Tudo numa linguagem ótima, e ainda assim concisa, bem colocada, por vezes acertadamente exagerada. Boa "surpresa" dos hermanos, mas uma vez, que tantos filmes bons fazem. E a gente aqui cheio de preconceitos bestas fomentados pela "imprensa marrom" do futebol, que parece não perceber o estrago que causa em outras áreas.
Muito bom, muito bom mesmo. E eu devo essa preciosidade à Clau, que tanto me falou do filme. Muchas gracias, cariño! :)
E agora, antes de dormir, vou bater um papo com Cecília, Carlos, Vinícius e Manoel.
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Tá, ok, essa cena aqui é legendada, abre o filme e... bem, resume muito bem o que algumas pessoas pensamos.
"Me importa un pito que las mujeres tengan los senos como magnolias o como pasas de higo; un cutis de durazno o de papel de lija. Le doy una importancia igual a cero al hecho de que amanezcan con un aliento afrodisíaco o insecticida. Soy perfectamente capaz de soportarles una nariz que sacaría el primer premio en una exposición de zanahorias. Pero eso sí, y en esto soy irreductible, no les perdono bajo ningún pretexto que no sepan volar, si no saben volar pierden el tiempo conmigo". (Oliverio)
17:34
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By Paulo Tiago
Quando eu vejo Robert Pattison, o Edward, me vem à cabeça que ele é um cara que fica fazendo cara de dor de barriga o filme toda, por causa, bem, das caras de dor de barriga que ele fica fazendo como o vampiro mais pop do mundo hoje em dia. E me pego pensando se ele vai ser sempre assim, se o cara vai ser pra sempre o Edward ou se vai alavancar e mostrar ao mundo pra que veio, como outro ator que já entrou de vez na minha listinha de favoritos: Leonardo DiCaprio. Sim, ele mesmo.
A primeira coisa que tive o "prazer" de ver com esse rostinho bonito em cena foi, infelizmente, Titanic (1997), e por duas vezes no cinema e nunca mais. Claro, na época, eu achei o máximo, gostei do filme, e até cheguei a discutir a entrada dele ou não na corrida para o Oscar e achei que a Kate Winslet não tinha graça (isso só viria a mudar anos depois, e hoje sou até meio apaixonadinho por ela). Veio O Homem da Máscara de Ferro (1998) e A Praia (2000), e de repente eu não conseguia mais olhar pra cara dele, que tinha virado um rostinho bonito que não fazia nada que prestava e ainda tinha que aturar a cara dele em bancas de jornais, capas de fichário e atrás da porta do guarda-roupa das irmãs dos amigos. Peguei birrinha, pronto. E fiquei muito tempo sem assistir a nada que fosse dele.
Comecei a trabalhar numa escola depois da Disney e tinha uma bendita aula de vídeo em cima de Prenda-me Se For Capaz (2002), que eu sempre ignorei, apesar de todas as críticas, recomendações e, bem, Tom Hanks. Daí veio Os Infiltrados (2006), novos elogios e prêmios, e um dia resolvi assistir a Diamante de Sangue (2006). Lembro muito bem de, no fim do filme, virar pra Bell e dizer "E não é que o Leonardo DiCaprio tá virando ator?", surpreso pela atuação dele, pelo bom filme que ele tinha feito. Mal sabia eu que ia vê-lo em cena com Jack Nicholson dali mais um tempo e soltar um "É, o cara virou ator mesmo".
E sabe quando, daí, parece que tudo começa a acontecer? Apesar de dar a aula, nunca tinha visto Prenda-me. Peguei empretado na escola e vi um dos filmes mais bacanas sobre malandros até hoje, tanto que tenho o DVD. Resolvi ir lá atrás, e vi Diário de um Adolescente (1995), seu primeiro grande filme, e fiquei de cara com ele, tão novo, tão bom. Ainda outro dia, veio Rede de Mentiras (2008), mais um bom filme que os americanos fazem para exorcisar os próprios demônios da Guerra ao Terror, cujo ápice esteve no Oscar esse ano. Com a farra da Blockbuster, o ótimo Foi Apenas Um Sonho (2008) que, por sinal, tem algumas das melhores cenas cortadas, só disponíveis dos extras, e alguns meses atrás o também ótimo e scorcesiano Ilha do Medo (2009), numa sessão de cinema com ameaças graves às meninas lésbicas de 14 anos do meu lado.
Não é que ele sempre foi bom? Fez uns filmes toscos, é verdade, mas quem não fez na carreira? É que nem mulher... todo cara que desfila por aí com mulher bonita já deu sua barangada, fato. E ele poderia ter virado um Ben Affleck, que se deu bem com Gênio Indomável (1997), mas que se mostrava um canastrão, continuou canastrão e, fazer o quê?, vai ser canastrão pra sempre, com o rostinho bonito também. Nem todos os atores que tem isso do rostinho conseguem, infelizemente, fazer o que um Brad Pitt ou um - agora admito, com prazer - DiCaprio conseguiram. E mais do que atuarem bem, eles sabem escolher muito bem os papéis, os filmes, o que fazer e o que não fazer. E no caso do Leo, como diz uma amiga, sem perder a carinha de menino (ainda acho estranho vê-lo fumando, por exemplo).
Daí domingo eu fui ver A Origem (2010), o tal #3 do IMDb. Sensacional, fantástico, ótimo! Mesmo! E, além de uma direção bem conduzida, de bom elenco, efeitos especiais fantásticos (a briga sem gravidade no corredor do hotel faria qualquer Neo vs. Agente Smith ficar com invejinha), tem um Leonardo DiCaprio fazendo um Cobb inspiradíssimo, no limite, contribuindo em cada cena pro final "Ahn?" que deixa a gente na dúvida. Quando o cara consegue isso, é porque ele é bom, e não porque tem um rostinho bonito e de bom moço. Ele me faz ir atrás do filme, e já pensei na listinha que preciso dar cabo agora: As Filhas de Marvin (1996), O Aviador (2004) e Romeo + Julieta (1996), enquanto não sai mais nada novo do Kevin Spacey ou da Maryl Streep.
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