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Se alguém consegue pensar em coisa pior do que isso, me diga. Eu ainda tô pra ver... nem aquela cena de ação que eu postei outro dia aqui deve ser tão ruim, tão mal feito. É humanamente impossível!
Não sei, mesmo. Não sei se volto a ver o filme, pelo menos não tão cedo, e definitivamente de estômago vazio. Um belo filme, sem regras nem rótulos, chocante. Mas que é preciso ter estômago, paciênca e uma certa dose de preparação pra ser visto. E depois dele, eu me pergunto: a câmera precisa chegar tão perto mesmo?
Interessante que o texto de Marcuse, que li alguns anos atrás, fala justamente da perda da nossa capacidade não só de criar uma utopia, mas também de efetivamente imaginar uma, dadas as condições em que vivemos, que esmagam nossa capacidade de pensar em algo diferente, mas melhor. Tentei pensar em algum filme que mostre um futuro melhor, mas tudo que me vem à cabeça é algo relativamente igual a hoje (até o caso de Blade Runner, de 1982) ou pior, mas nunca algo melhor. O Demolidor (1993), filmão de ação de Stallone, mostra um futuro teoricamente bom, pacificado (quem leu Admirável Mundo Novo vai ter uma boa noção do que poderia ser o mundo como Huxley imaginou, e não vai se surpreender quando ver que Sandra Bullock se chama Lenina Huxley no filme), mas onde falta liberdade e, depois, vai dar merda, porque o mocinho ganhou.
Charlie Kaufman: There was this time in high school. I was watching you out the library window. You were talking to Sarah Marsh.
Mas dessa vez eu resolvi fazer uma coisa, e até agora tem me trazido algumas surpresas, agradáveis na maioria: assistir aos tais 10 filmes. Ainda me falta metade. E é curioso como tem coisa que simplesmente parece errada lá, e até corrobora minha idéia de que o Oscar não é a maior festa. Up, uma animação, está indicado a melhor filme, o que quase garante que vai ganhar como melhor animação, e temos algo como O Segredo dos Seus Olhos, um argentino muito, muito bom, que vai concorrer como melhor filme estrangeiro. Pode ser coisa minha, mas não dá pra entender como uma animação que é boa, pero no mucho, está lá e outras coisas tão boas ficaram de fora. Vai ter muito brasileiro torcendo contra por ser um filme portenho, numa tremenda ignorância que já passou das barreiras do futebol ao ponto de ter gente dizendo que não gosta de argentino sem nem saber o porquê, sendo que, pra exemplo, é só pegar O Filho da Noiva, filmão argentino de 2003, se não me engana, cujo diretor e ator principal (o ótimo Ricardo Darín) estão nesse filme novo. Até Hollywood sabe disso, ou não teria feito um remake de Nove Rainhas naquele simpático Os Vigaristas, com Nicolas Cage. Pois é, foi baseado num argentino.É algo impressionante como isso é ruim... meu Deus do céu! hahaha Mas é tão ruim, tão ruim que chega a dar dó. Os efeitos sonoros, a pinta do ator, o cavalo que escorrega, os "efeitos especiais"... fora que eu nunca vi tanto carro saltar sem motivo, tanto jipe voar sem rampa nem nada, e carros que explodem em sequência. Agora, a pergunta: terá James Cameron se inspirado nisso pra fazer aquela cena com o cavalo no começo de "True Lies", da perseguição à moto?