"And the Oscar goes to..."

Sempre que sai a lista do Oscar, eu penso em duas coisas, de cara: lá vem a Globo chamar a cerimônia da Academia de Cinema dos Estados Unidos de "a maior festa do cinema mundial" (e Cannes, vai bem? Berlim, onde?) e é bom ficar com um pé atrás. Depois que Titanic levou uma estatueta por melhor filme em 1997 (sem contar as outras 10, dentre as quais diretor para James Cameron, fotografia, efeitos especiais e outras coisas técnicas), além da horrível "My Heart Will Go On", que incrivelmente ganhou de melhor canção original na voz de - ugh! - Celine Dion, eu fico assim. E daí, esse ano, a Academia resolve que 5 filmes não eram o bastante... vamos indicar 10 para melhor filme, e assim prolongar uma cerimônia que já é bem longa - e chata.

Mas dessa vez eu resolvi fazer uma coisa, e até agora tem me trazido algumas surpresas, agradáveis na maioria: assistir aos tais 10 filmes. Ainda me falta metade. E é curioso como tem coisa que simplesmente parece errada lá, e até corrobora minha idéia de que o Oscar não é a maior festa. Up, uma animação, está indicado a melhor filme, o que quase garante que vai ganhar como melhor animação, e temos algo como O Segredo dos Seus Olhos, um argentino muito, muito bom, que vai concorrer como melhor filme estrangeiro. Pode ser coisa minha, mas não dá pra entender como uma animação que é boa, pero no mucho, está lá e outras coisas tão boas ficaram de fora. Vai ter muito brasileiro torcendo contra por ser um filme portenho, numa tremenda ignorância que já passou das barreiras do futebol ao ponto de ter gente dizendo que não gosta de argentino sem nem saber o porquê, sendo que, pra exemplo, é só pegar O Filho da Noiva, filmão argentino de 2003, se não me engana, cujo diretor e ator principal (o ótimo Ricardo Darín) estão nesse filme novo. Até Hollywood sabe disso, ou não teria feito um remake de Nove Rainhas naquele simpático Os Vigaristas, com Nicolas Cage. Pois é, foi baseado num argentino.

Depois de, meio que sem querer, ver o tal argentino, e por querer ver A Fita Branca, filme estranho mas bem bom do alemão Michael Haneke (mas que é preciso entender o contexto histórico, e onde o filme vai "dar" pra se ver o porquê dele, já que parece não ter fim), resolvi que o negócio agora é ver (também) a lista dos filmes estrangeiros, na medida do possível. Digo isso porque HSBC Belas Artes e Espaço Unibanco Augusta são só dois, e o Bombril só passa dois filmes por vez, além de que outras opções às vezes são fora de mão, e daí o que nos resta são os bons e novos torrents. É uma pena, mesmo, porque a gente deixa de ver tanta coisa boa porque está fora do circuito Cinemark e porque não é alguma coisa contemplada pelo Oscar (e pela Globo), enquanto filmes como As Branquelas ganham notoriedade e até uns vários fãs, tipo uma sala inteira de aula tentando me convencer de que era um filme muito engraçado. Pelo amor de Deus, acho que nunca mais vou conseguir ver alguma coisa tão retardada.

O foda é que as aulas voltaram, e agora não tenho mais as noites livres pra ficar indo ao cinema. O jeito vai ser aproveitar como der os fins de semana e meu horário tão abençoado que me deixa ver filme de tarde, Lost de manhã e alguma coisa do tipo Ele Não Está Tão a Fim de Você do nada. Eu também tenho lá meus gostos... recrimináveis, e com certo orgulho. É melhor do que ser um chato pedante.

A "Melhor" Cena de Ação

É algo impressionante como isso é ruim... meu Deus do céu! hahaha Mas é tão ruim, tão ruim que chega a dar dó. Os efeitos sonoros, a pinta do ator, o cavalo que escorrega, os "efeitos especiais"... fora que eu nunca vi tanto carro saltar sem motivo, tanto jipe voar sem rampa nem nada, e carros que explodem em sequência. Agora, a pergunta: terá James Cameron se inspirado nisso pra fazer aquela cena com o cavalo no começo de "True Lies", da perseguição à moto?

"I'm like my mother, I stereotype. It's faster. "

Na onda dos indicados ao Oscar e do frenesi que se instalou em torno dos indicados, hoje eu fui ver o filme do George Clooney, sem nem saber direito do que se tratava. Amor Sem Escalas tem um nome horrível em português, considerando o filme, mas é muito bom, mesmo. E na hora de descrever, acho que eu diria que é o filme do George Clooney, simples assim, e impossível pensar muito diferente.

Poucas vezes saí do cinema com uma sensação de tanta tristeza num filme onde se dá risada, se torce e se tem uma história que parece... bem, não tão triste. E com uma sensação meio que de vazio, que é a que o filme deixa no final. Parece até piada que um personagem que tem que fazer tantas conexões como Ryan Bingham, que consegue atingir seu sonho (alguma ironia com a demissão de Bob?), que lida com tantas pessoas e tem família seja tão solitário, tão sozinho e consiga ser tão arrasado, considerando que estamos falando de Hollywood e de um filme que, ao seu modo, trata de amor. Claro, é mais do que isso, é sobre relações e pessoas, mas o amor está lá, nem que seja no horrível título no Brasil. E aí que vem a figura de George Clooney, o solteirão mais convicto do show business.

Colocar Brad Pitt? Não dá, ele é casado e todo mundo vê fotos dele com a Angelina. Ben Stiller e as caretas deles, não rola. Matt Damon, muita cara de bom moço. E poderia pensar em uma lista enorme aqui, mas teria que ser George Clooney, sujeito tão reservado quanto à vida pessoal, na idade certa, com a dose de cinismo certa para dar a convicção de que tudo que ele fala no filme sobre relações é algo em que ele efetivamente acredita. É mais ou menos como pedir para George Bush fazer um filme em que ele interpreta um figurão que acredita no uso da força para resolver problemas, algo assim.  O sujeito tem que dar credibilidade ao que diz, e nisso a escolha por Clooney foi perfeita, ainda que ele esteja longe de ser Oscar material, com esse filme. E o que me espanta é como alguém consegue ter idéias tão racionais e desapegadas de relacionamentos com outras pessoas, não sendo nenhuma surpresa que a tal teoria da mochila sirva tanto pra coisas quanto para pessoas, apresentado nessa ordem.

Agora, o melhor mesmo, talvez até do filme, é ver o que acontece. O cara não tem família, não tem muitos amigos, se sente rodeado de pessoas, gosta de viajar e detesta ir pra casa. De repente, aparece aquela mocinha nova, bonita (Anna Kendrick é mesmo uma gracinha) e cheia de ideais e teorias sobre relacionamentos, pra conviver com um cara que dá risada quando se diz que o amor é motivo para se casar (um dos melhores e mais interessantes diálogos do filme, seguido de um piti impagável), batendo de frente com duas pessoas que são, de certa forma, versões de si mesmos no sexo oposto, isso é, Ryan e Alex. E quando você acha que, depois de tanto rolo e pragmatismo, a coisa vai mudar... bem, a vida não é um mar de rosas, certo? Não é sempre que você vai bater à porta da pessoa, achando que sim, o amor pode dar certo e vencer, e vai, realmente, dar certo. A pessoa vai estar te esperando, como nos sonhos de muita gente. Mas ser chamado de "parênteses" é demais, até para George Clooney. Tanto que a impressão que se tem é a de que ele perdeu tanto o chão com isso e com um suicídio que, perdido, ele passa a se agarrar ao pouco que sobrou, como um conselho "bobo" sobre milhas e painéis de aeroportos, pronto pra fazer as únicas conexões que ele realmente sabia fazer.

O filme é, pra ser sincero, brilhante, especialmente pelo final nada hollywoodiano, e pelas atuações, pela frieza da coisa toda (à exceção da cena do casamento, que é realmente gostosa de se ver, com atores que parecem estar realmente se divertindo). Depois de fazer a gente acreditar que há uma salvação, até mesmo para Ryan Bingham (e para George Clooney?), que alguém tão peculiar vai cair no esteriótipo da pessoa com sonhos "comuns", vem o balde de água fria, e a vontade de nunca ouvir alguém dizer que eu sou a estrela no seu céu. Pode ser só a luz do avião.

"It'll be humane. More or less."

Desde que me dou por gente, tenho visto humanos serem ou os coitados caçados e/ou oprimidos por alguma raça alienígena do mal (como em O Predador ou Guerra dos Mundos), em que nós somos os coitados. Ou  por máquinas, como na série de O Exterminador do Futuro, mas somos sempre os coitados, prontos pra comer capim pela raiz até que um Schwazenegger ou um John Connor se mostram mais fodões que os opositores da raça humana e salvam o dia. Ou nem precisa ser fodão. O Will Smith só precisou das orelhas de Dumbo e de saber pilotar uma nave alienígena pra levar o Jeff Goldblum até a nave-mãe dos motherfucking aliens pra que nossa engenhosidade e nosso precioso cérebro humano dessem um jeito em tudo. Pronto, é assim e com um simples vírus de computador que a Terra é salva em Independence Day.

Agora, eu sempre quis ver uma coisa. E se nós estívessemos no papel dos invasores, os caras maus? E se nós tivéssemos mais tecnologia, mais músculos, pra dar um cacete em quem viesse pela frente, aliens ou robôs? Mais ou menos como ver... sei lá, a Sandra Bullock fazendo um papel dramático realmente sério. Complicado, mas tornou-se possível, graças a James Cameron, quem diria. O mesmo que fez Titanic, mas agora voltou a acertar em Avatar - que, por sinal, já passou dos US$ 1 bi em arrecadação. Claro, em grande parte pelo apelo visual do filme, que é de cair o queixo mesmo, especialmente em 3D, porque a história em si pode não ser exatamente uma novidade, mas me deixou ansioso por mais coisas como essa, em que não somos nada coitadinhos. No more Mr. Nice Guy, como diria o Alice Cooper ou o Jackie Chan.

Cruzo os dedos pra ver mais coisas assim, sem que nós sejamos nossas próprias vítimas, e vou ao cinema, de novo, ver Avatar. Em 3D, é claro.

"Les temps sont durs pour les rêverus."

É praticamente impossível passar mais da metade dos 122 minutos de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain sem um sorriso no rosto, daqueles bobos mesmo, de quando simplesmente você se sente bem, se sente feliz. E talvez essa seja a grande missão, ora ingrata, do filme, com todos os seus detalhes que, de tão ricos, são praticamente impossíveis de ser digeridos em uma assistida só. O visual do filme beira à moldura, perfeita para uma heroína de sonho como Amélie é, perfeita na pele da fofíssima Audrey Tautou. É uma experiência de sentidos o filme, e é daqueles que faz o coração sair até mais aquecido.

Uma das coisas que mais traz essa sensação de felicidade, pura e simples, é ver como Amélie, ainda que por inocência, é uma pessoa boa. A morte de Lady Di (o filme se passa em 1997) cria um efeito da Teoria do Caos, porque a morte da pincesa gera uma reação em Amélie (a tampa do perfume que cai), que leva à descoberta de um compartimento secreto e da caixinha dentro dela, com os tesouros de infância de um menino dos anos 50. Esse tesouro será o responsável pela mudança na vida de Amélie, que se torna um tipo de super-heroína, cujo poder é justamente engatilhar os eventos na vida dos outros e ajudar as pessoas, o que explica a fantasia de Zorro que ela posteriormente veste. Pois é, a foto que Nino encontra e reconstitui não é ao acaso, pra quem não entendeu. Amélie ajuda aos outros por ser uma pessoa boa, ainda que dê pra argumentar que ela o faça por ser uma forma de escapar da própria realidade ou por altruísmo, explicado pela "reportagem" que ela vê na TV sobre a própria morte. Bullshit, ou pelo menos pra mim, que prefiro acreditar que ela o faz de bom grado, mesmo que seja por inocência.



O duro, por outro lado, é justamente isso. Essa inocência ao ajudar me lembra muito o garoto Trevor McKinney (vivido por Haley Joel Osment, clone do meu primo quando mais novo), de A Corrente do Bem. Pra quem não sabe, o garoto tem uma idéia de que, se cada pessoa ajudasse três outras pessoas, o mundo seria um lugar melhor. Quem fosse ajudado teria de "passar" isso, ajudando três pessoas, que teriam, cada uma, de ajudar outras três pessoas, numa PG, e por aí vai. A idéia é simples, até, e poderia funcionar, mesmo que a gente não leve o Jim "JC" Caviezel pra casa, e ele salve uma mulher do suicídio depois. Só que Trevor tem 12 anos, e como Amélie, acredita que pode mesmo mudar o mundo, tendo até um relativo sucesso, como a trágica e linda cena final do filme mostra. Will Smith também já mostrou seu lado humanitário em Sete Vidas, que é bem bom e igualmente trágico, mas não movido por inocência, e sim por culpa, remorso ou o que for. Será que não dá pra ser movido por... sei lá, pura vontade de ajudar aos outros, ao mesmo tempo em que se pensa nos problemas no trabalho e se fala um palavrão sem motivo, por pura falta de paciência com bobagem?



Claro, são três filmes que me fizeram repetir para mim mesmo que eu não sou um cara ruim por não fazer o que eles todos fazem, especialmente porque só mesmo Amélie consegue ter bons frutos das ações, até para ela mesma, que descobre o amor no meio do caminho e protagoniza uma conquista absolutamente irresistível, que poucos filmes conseguem mostrar, dando a sensação de que uma coisa tão irreal pode ser real, ainda que seja preciso ser um sonhador para isso. Assim como se tem que ser um sonhador para fazer coisas simples como a idéia de Trevor para um mundo melhor, e precisar ter essa tal qualidade de sonhador é justamente o que está errado, porque a gente pode e deve ser simplesmente melhor, mas como pessoas normais. Não deveria ser preciso ser uma menina com a vida que Amélie teve (ela, em si, é um milagre sociológico, considerando como cresceu), ou ser um menino de bom coração que não se torna vítima da própria idéia, ou um engenheiro espacial workaholic que tem o péssimo hábito de usar o celular ao volante e acredita em (literalmente) doar a vida para que a gente acredite na natureza e na bondade humana. Mas, como dizem, a vida imita a arte e vice-versa, e talvez venha daí mesmo esse sentimento de incapacidade de se ter uma pessoa como qualquer outra que seja puramente boa, e que isso por si só nos faça felizes, ainda que com lágrimas nos olhos.


Não sei se é tão simples ser Audrey Tautou, Haley Joel Osment ou Will Smith na vida real, mas acho que é tudo uma questão de cada um tentar dentro das suas capacidades. Eu tento e, acho, sou até bem sucedido, nada de Madre Teresa. Mas dia sim, dia não, preciso me dizer que não sou um cara ruim, nem que seja cantando a música do Superguidi e me convencendo que Trevor está certo, ("I guess it's hard for people who are so used to things the way they are - even if they're bad - to change. 'Cause they kind of give up. And when they do, everybody kind of loses.") e que eu não vou ser uma das pessoas que simplesmente desistem. Algumas pessoas podem nem ligar, mas eu sinto que perco comigo mesmo, no mínimo.

"Remember me. Try your best; maybe we can."

Clementine: This is it, Joel. It's going to be gone soon.
Joel: I know.
Clementine: What do we do?
Joel: Enjoy it.



"How hard did you hit your head?"

Pois é, depois de tanto tempo, tantos alunos me enchendo o saco, tantos adultos me surpreendendo por serem fãs e de tanto Robert Pattinson pra lá e pra cá, eu fui ver Crepúsculo, a adaptação cinematográfica dos livros de Stephenie Meyer. E, confesso, esperando uma bomba, daquelas que te fazem passar o filme se mexendo na cadeira e olhando para o relógio. Foi até curioso, mas quando recebi um convite para ir ver o então por estrear Lua Nova, a continuação da saga, brinquei falando que só veria em HD e numa TV de todas as polegadas possíveis, até que umas 3 semanas atrás, isso aconteceu, assim mesmo. E essa semana agora teve a tal continuação.

O primeiro filme é dirigido por Catherine Hardwicke, que já tinha feito o interessante Aos Treze, que conta a história de (atenção!) adolescentes que descobrem o mundo adulto, sexo e drogas, aos treze anos. Já o segundo mudou de mãos, já que o diretor de Lua Nova é Chris Weitz, que tinha feito o bobo A Bússula de Ouro e o ótimo Um Grande Garoto. Isso não deveria ser muito curioso, porque estamos falando de adolescentes e adaptação de livros daquelas que geram milhares de similares ou desenterram porcarias que ganham certa projeção por tratarem do mesmo tempo. Foi assim, por exemplo, com O Senhor dos Anéis, que levou a A Bússula de Ouro, e agora a série de Meyer que gerou uma infinidade de filmes e livros de vampiros, com coisas boas e outras nem tanto. Ou seja, foram chamados os "especialistas", até porque trazer Peter Jackson seria uma piada de muito mal gosto.

Apesar do frenesi, nenhum dos dois filmes têm o calibre pra isso, nem de longe. O elenco tenta, até que é competente, mas ele se debruça horrores sobre Robert Pattinson, que é bonito mesmo, e depois no corpitcho sarado de Taylor Lautner, que passa o segundo filme praticamente todo sem camisa, numa atitude típica do nosso tupiniquim Marcos Pasquim. Só que nunca vi um povo fazer tanta de cara de prisão de ventre como Edward e Bella, os personagens principais do primeiro filme, ou mesmo as caras de "estou enfezado e sou sexy" de Jacob, no segundo filme. Só que... nem isso atrapalha. Os filmes conseguem convencer e, para minha surpresa, divertir. Bobo, mas diverte, apesar de certas partes de ambos os filmes se arrastarem a ponto de fazer a platéia sentir aquela sensação de "Vai logo, por favor?". Cheguei a pensar em Dragon Ball Z e as intermináveis lutas, mas aqui é um beijo, ou uma crise de choro, ou então aquelas cenas clichê do tipo "estamos nos conhecendo e nos apaixonando", sem os sorrisos, risadas e beijos. As cenas de ação do segundo filme, e mesmo alguns dos diálogos, fazem com que ele seja mais interessante e menos arrastado, e isso acho que é mérito de roteiro e de direção.

Bom, a verdade é que são filmes para adolescentes, sem tirar nem por. Qualquer adulto que assiste aos filmes não consegue deixar de achar os personagens infantis e bobos, sendo adolescentes que são, porque não sabem o que fazer e complicam tudo mais do que se precisa. Aqui, porque Edward é um vampiro, Bella é a menina que não se encaixa e fica com uma meia careta, e Jacob é um lobisomem que quer a pele branca e brilhante da vampirada. Só que o vampiro e a moça se apaixonam, e não podem ficar juntos. Daí, o rapaz que é o lobisomem se apaixona pela moça que acaba gostando dele também, mas não esquece o primeiro amor. O que tem de novo nisso? Nada, na verdade. Troquemos a parte de vampiros e lobisomens por ricos e pobres, cristãos, judeus e muçulmanos ou mesmo palmeirenses, corinthianos e bam-- são-paulinhos, e temos a mesma história. O interessante aqui é que não dá pra menina sair dando pros dois, sem saber quem é melhor de cama ou alguma bobagem assim, o que aumenta e bastante a coias do platonismo na relação triangular deles, e isso acaba por funcionar, até. Fica mais do que óbvia a influência de Romeu e Julieta no casal principal, e pelo menos espero que a molecada que lota os cinemas ou faz a alegria das editoras se volte ao bom Bill e suas peças, pelo menos.

Ok, eu não sei muito bem o que escrever sobre esses fenômenos. Sabe quando simplesmente você assiste e acaba gostando, em grande parte pela bomba que eu disse esperar? Mas é aquele gostando cheio de ressalvas que eu tento ignorar, ou estaria xingando o filme. Pra que falar que a construção do enredo do filme é meio tosca, e fica tudo parecendo que são questão de dias, desde a chegada de Bella à escola ao seu amor sem fim por Edward? Pra que falar que é no mínimo ridículo (ou retardado) ela continuar escrevendo os tais e-mails para Alice sendo que ela sabia que eles estavam voltando? Aquelas crises de choro que duraram meses ou os urros nos sonhos são coisas exageradas? O lance foi sentar, relaxar e gozar, seguindo conselho inestimável de nossa mamita, e deu certo. A ponto de querer ler? Não, não. Mas a ponto de querer ver o próximo, até porque a suspeita de uma coisa meio gay entre Edward e Jacob me divertiu, e quero ver como seria um casamento entre duas pessoas (ou algo assim) que se amam, só deram uns 4 beijos, se eu contei direito, e nunca foram pra cama.

Acabou que saí da casa da Maíra, e depois do cinema do Bourbon, com vontade de ver o próximo, e me perguntado ao mesmo tempo o que tinha acontecido comigo. Eu peguei gosto pelos filmes do Arnold Schwarzenegger quando era pequeno, e ele fez mesmo alguns dos marcos no seu gênero (Predador, Comando Para Matar e True Lies, por exemplo), mas pegar certo gosto pelos vampiros, Bella e os lobisomens me fez pensar se eu bati a cabeça e não me lembro.

"No, it does not exist for you. You exist for it."


Alex: I have reflected many times upon our rigid search. It has shown me that everything is illuminated in the light of the past. It is always along the side of us, on the inside, looking out. Like you say, inside out. Jonathan, in this way, I will always be along the side of your life. And you will always be along the side of mine.



"You weren't wrong, Tom. You were just wrong about me."

Quando eu tinha meus antigos 15 anos, minha vizinha Bia me emprestou um filme que ela tinha alugado, Melhor É Impossível. Com dois Oscar na bagagem, um deles para Jack Nicholson (e o outro para Helen Hunt), era difícil não gostar do filme, ainda que fosse na fase em que eu ainda gostava de ver o Bruce Willis e cia. salvarem o mundo do asteróide malvado. Era uma semana à tarde, possivelmente terça ou quinta, e lá fui eu ver um filme em VHS (quanto tempo, não?) com mais de 2 horas. Não saía do sofá, não queria. O filme acabou e eu, eufórico, queria sair de casa correndo pra ir me reconciliar com minha ex-namorada que me dera um pé nos fundilhos não tinha muito tempo, inspirado por Melvin Udall e seu "You make me want to be a better man", o melhor elogio na história do cinema - ao menos, o recente. Ia dar certo, ela ia me querer de novo, e seríamos felizes! Yes! Só que... eu não fui. A casa dela era longe, e aqueles minutos que enrolei pensando na bicicleta e em todas as ladeiras (em Poços de Caldas, não é brincadeira), ou mesmo no tempo que ia dar pra pegar um ônibus e ir até lá. Não fui, e não voltamos, ao menos até o ano seguinte para uma volta relâmpago de uma semana, e uma eventual quase cagada em 2003.

Desde então, eu fico meio cismado com comédias românticas ou filmes que simplesmente tratam de amor. Essa semana eu vi (500) Days of Summer, ou (500) Dias Com Ela. O elenco já me deixava animado, porque eu sou bobo pela Zooey Deschanel e o Joseph Gordon-Levitt teve as manhas de fazer o único filme de adolescentes em colégio com fundo bobinho de que gostei e até hoje gosto, 10 Coisas Que Odeio em Você, o IMDB marca um merecido 8.2 na avaliação e a trilha sonora é das melhores. Não tem como dar errado, tem? E nem dá, mas o filme é um belíssimo soco, de direita, em cheio. Nocaute. Ele é honesto quando diz que não é uma história romântica, e está mais para o que Closer é: uma história sobre o amor, com menos sexo aqui do que lá. Quem até hoje diz que o lance entre os quatro lá, incluindo a linda e tudibão Natalie Portman (as meninas falariam do Jude Law, ou mesmo do Clive Owen), é uma história de amor precisa urgentemente rever conceitos. É sobre S-E-X-O, e foi a Alice que disse "Why isn't love enough?", frase que me persegue. Aqui é sobre amor mesmo, e até chega a parecer que é amor bonitinho, dos que pode dar certo, mas bem pouquinho, com base em um dos truques mais bem sacados do filme, jogar a história para frente (ou seja, com o Tom na fossa) e pra trás, mostrando a conquista e ele todo radiante. Outra montagem fantástica é o contraste entre expectativa e realidade, mas daí eu vou ter que contar o filme e entregar um detalhe fatal e, ao mesmo tempo, brilhante, literalmente.

Mas aí é que está o soco que o filme dá na probre audiência, ainda mais quando ela consegue se ver no filme, seja como o Tom, romântico, ou como a Summer, sincera de doer. Aliás, uma adverência: se você terminou um longo e tenebroso relacionamento, está com dor de alguma coisa, ou simplesmente teve seu coração partido, pense 245 vezes antes de entrar na sala de cinema ou baixar esse filme para seu computador. Apesar de todos os clichês que temos em filmes do tipo que acabam em final feliz, reconciliação ou algo do tipo entre o casal principal, (500) Days não faz isso - e isso não é spoiler, se você tem Tico e Teco pra processar o narrador avisando isso: "This is a story of boy meets girl. But you should know up front, this is not a love story". E foi bem aí que eu fiquei atônito, me vendo no filme como a Summer ou vendo a Autumn acontecendo para outras pessoas, mas nunca para mim, como em 2006. O que me remeteu direto a outro filme que vi esse ano, e achei uma graça. Ah, isso e ao papel da música para começar um relacionamento, e a constatação óbvia e certeira que uma menina de 12 anos faz que eu preciso ouvir com mais frequência sobre gostar de coisas estranhas e ser o soulmate de alguém.

Nick and Norah's Infinite Playlist, no filme, não faz jus ao título. Mas é com a Kat Dennings, é música do começo ao fim, veio de um livro muito bacana e tive uma noitada que lembrou a do filme em junho. É entretenimento, mas eu confesso que fiquei maravilhado com a possibilidade de algo como o que acontece no filme acontecendo comigo, com a Kat me dizendo que eu sou o soulmate dela, me contando sobre o Tikun Olam ("reparar o mundo", ou seja, a prática de uma série de actos que conduzem a um mundo socialmente mais justo) e me fazendo achar o judaísmo mais interessante, enquanto eu me apaixono e dou uma resposta tão boa quanto a do Nick. Claro, eu sei. que ganhar na loteria sozinho é mais fácil. Mas eu fico cheio de esperança, achando que essas coisas acontecem, até porque a Norah é aquela que vai fazer o Nick ver a verdade sobre sua ex namorada bem bitch, ainda que o adjetivo esteja a oceanos de ser apropriado no meu caso.

Daí, vem a Summer e mostra que a Norah é obra de um livro de teen lit. Literatura adolescente, porque essas coisas não acontecem. Melvin Udall nunca conseguiria acertar as pontas com Carol Conelly, que iria embora do restaurante antes de ouvir o elogio. Eu posso estar errado, espero mesmo estar. Espero que exista por aí uma Norah e uma Autumn (a "salvação" para o amor que Closer não tem), ou mesmo um Nick. Alguém pra aceitar o convite espontâneo para um café, que vai zerar o contador dos dias ou fazer a gente cair na vida ao som de You Sexy Thing, acreditando mesmo que o Tom está, esteve e sempre estará certo, e que a Summer em cada um de nós vai aprender a lição, sem deixar muitos corpos no caminho. Espero, porque acreditar... bom, não acredito, pelo menos acho que não. Melhor É Impossível foi há muito tempo, e 2005 tá muito mais recente do que eu queria.

"All I wanna do is grow old with you."

Julia: May I ask what happened with Linda?
Robbie: She wasn't the right one, I guess.
Julia: Did you have any idea she wasn't the right one when you were together?
Robbie: I should have. Uh, I remember we went to the Grand Canyon one time. We were flying there and I'd never been there before and Linda had, so you would think that she would give me the window seat but she didn't and... not that that's a big deal, you know. It's just there were a lot of little things like that. I know that sounds stupid...
Julia: Not at all. I think it's the little things that count.
Robbie: How did you know that Glenn was the right one?
Julia: The right one, ah... I always just envisioned the right one being someone I could see myself growing old with.
Robbie: Yeah.
Julia: And... Glenn would be a really good-looking older man. Like Blake Carrington.
Robbie: I'm gonna probably look like Buddy Hackett.

* * *

Um diálogo, duas na lata. E ainda me perguntam por que eu gosto do Adam Sandler, que sabe fazer coisas muito, muito melhores do que Zohan.

PS: sim, eu me inspirei *cof cof* no seu post, Jana. E tive que rever o filme, mesmo não "podendo".